sábado, 20 de outubro de 2007

O pra sempre sempre acaba

Toda vez que volto de Brasília, volto com um nó na garganta... com as baterias recarregadas, muitas memórias boas das pessoas e dos lugares... mas com uma saudade imensa de CASA.

Não que Brasília seja ótima. Não que meus amigos e minha família sejam perfeitos. Mas são parte de mim, da minha história, da minha vida. São meus.


Em São Paulo ainda não tenho nada.

Ainda não tenho aqueles amigos que me entendem pelo olhar. Porque isso leva tempo.


Ainda não tenho uma família. Porque abri mão da que tenho aqui há muito tempo e não estou nem perto de constituir uma.


Ainda não tenho as facilidades que Brasília me oferece. Porque a cidade não conhece. Ainda...


São Paulo é pra mim como uma casa de reabilitação. Tudo aqui tem sido na marra. Coragem, tolerância, paciência... Nunca passei tantas sextas, sábados e domingos em casa... Sozinha. Eu, que nunca gostei de ficar sozinha, torço agora pra que esses momentos aconteçam. Pra poder pensar, cantar, tocar, escrever, cozinhar. Fazer aquelas coisas que foram deixadas pra depois.


Tava ouvindo um disco do Djavan e tive saudade de uns tempos em que tudo era muito fácil, que os sonhos eram mais vivos e menos impossíveis. Tempo em que eu acreditava que algumas pessoas estariam pra sempre na minha vida e que meus planos de infância seriam concretizados. E me lembrei de como eu dei um jeito estúpido de estragar vários desses planos.


Mas foi bom! =)

Foi bom lembrar das certezas que ainda são certezas e que todas as vezes que fiz alguma bobagem, o tempo tratou de me avisar delas.

Lembrar de como matar aula na UnB e ir pro Poço Azul era fantástico. Ou siplesmente matar aula já era bom...

Bom lembrar também de como a música entrou de vez na minha vida.

Bom lembrar da cena do exato momento em que me apaixonei perdidamente pela primeira vez... e como essa paixão me trouxe coisas maravilhosas, me trouxe música pra vida, sensibilidade e principalmente a vontade de ser cada dia melhor como artista e como pessoa. Tive certeza de que me casaria com aquele menino e teria vários filhos lindos com ele... mas deixei passar, porque acreditava (e ainda acredito) que aquele não era o momento. Tinha que passar por outras coisas, ele também...


Percebi que minha vida virou de pernas pro ar significativamente 3 vezes. Em todas elas, eu saí do buraco bem melhor do que tinha entrado. Faltam 4 meses e 24 dias pros meus 30 anos. E quando eles chegarem, quero ter pelo menos aquele mesmo brilho nos olhos que eu tinha quando minha vida virou pela primeira vez.


Toda vez que volto de Brasília, volto com um nó na garganta... Tá na hora de engolir e fazer valer todas essas loucuras.

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